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segunda-feira, 2 de maio de 2011

GUIA RÁPIDO PARA FILMAR CASAMENTO

Casamento - Todos diferentes para, no final, serem iguais


Você acabou de comprar suas novas câmeras e está pronto para cobrir seu primeiro trabalho. Você e outro cinegrafista irão cobrir o evento com duas câmeras e ainda tem dúvidas de como começar assim que botar os pés na igreja? Saiba que cada casamento é diferente para se tornar sempre igual. Loucura pura!


História do casamento
Independente de religião e templo, 90% dos casamentos são praticamente iguais, já que todo o cerimonial vem de rituais pagãos, e mesmo as igrejas evangélicas, por não conhecerem ou ignorarem esse tipo de ritual, acabam entrando no glamour que um casamento gera, e embarcam nessa onda. Um exemplo simples, para não ficarmos aqui discutindo religião, credo e outras coisas que fugiriam do assunto principal, é a presença do pájem e daminha.


Você sabe a finalidade deles? Entre os anos 965 e 1008, com o cristianismo se transformando em religião oficial em muitos países da Europa, o casamento resultou em um novo formato. O império romano, desaparecendo, dava lugar ao império sacro romano germânico, e com isso vinham muitos rituais pagãos misturados as belas cerimônias e que, com o passar dos anos, se transformou em algo comum para a sociedade, até nossa era contemporânea.


A função do pájem e da dama de honra nada mais era do que, caso a sombra do mal viesse para trazer infortúnio ao novo casal, eles seriam confundidos pelos noivinhos, o pajenzinho e a daminha, e toda a desgraça e pragas seriam descarregadas neles, e não no novo casal. Assustador, não é?
Por isso tiro o chapéu quando alguém se despe de toda essa formalidade, quebra protocolos e  busca o casamento original, onde não havia uma cerimônia religiosa, porque entendia-se que a bênção divina para o casamento era extensiva a todos os casais. Então só era o noivo, a noiva, seus convidados e uma grande festa. Esse assunto dá pano pra manga. E muita manga.
Mas vamos voltar a nossa conversa.


Preparação
Um bom trabalho de filmagem numa cerimônia de casamento é uma tarefa desafiadora.  Mas sem mistério algum. O cinegrafista inteligente inclui em sua rede social as cerimonialistas, que coordenam todo o evento e facilitam as nossas vidas. Quando elas são profissionais, se preocupam de colocar todos os fornecedores, fotógrafos, cinegrafistas, músicos, celebrantes, em harmonia e sinergia. Afinal um casamento sempre é um grande dia para todos.


O Grande Dia
Primeira coisa. Consulte se na igreja ou templo há algum tipo de restrição ao seu trabalho. Não há padrão, cada uma cria uma regra própria e esses mesmas regras podem nos prejudicar. Tome conhecimento também das particularidades de cada religião para não tomar bronca do celebrante no meio do evento. Avalie sua liberdade de movimento, uso de luzes, posicionamento de tripé no altar, etc.
Resolvido isso, vamos as configurações de posicionamento.


Um cinegrafista deve se colocar junto ao altar, com tripé e esta camera será a "principal." Ela que receberá todo o áudio captado que será microfonado das caixas de som e o cinegrafista deve ficar monitorando isso o tempo todo. Ela só gravará alguns takes da decoração, altar, detalhes do púlpito como velas, biblia, santos, flores, etc. Se não houver nada disso, o registro será da estrutura. Cobrirá também, em takes curtos, a chegada dos convidados até a igreja ficar cheia. A segunda câmera, que chamamos de "apoio", cobrirá o lado externo, registrando a fachada, a chegada dos convidados, noivo, damas, padrinhos, etc. Com ela que você pegará um depoimento do noivo, gravará a chegada da noiva no carro, etc.


Os Trompetes Soaram
No momento onde o casamento realmente começa (a cerimonialista deverá lhe dar um sinal) as cameras deverão ser ligadas e assim ficarem até o final da cerimônia. Será importante para ajustar o sincronismo durante a edição. A câmera principal ficará imóvel, registrando todo o cortejo de entrada, a de apoio na porta, mostrando a entrada de cada pessoa, registrando o cortejo até o meio do corredor e se posicionando novamente para a entrada. Fique tranquilo à chegada da noiva. Ela só sairá do carro quando todos estiverem já dentro da igreja. Assim você poderá, com calma, gravá-la se posicionando. Como a câmera não deve ser desligada, aproveite e mostre ela descendo do carro, se posionando na porta até a entrada. Acompanhe ela por trás mostrando todo o esplendor de seu vestido. Noiva adora isso. Mas procure ser invisível a outra câmera lá na frente. Se houver um mesanino, a hora é agora de subir lá e pegar uma tomada do alto. Fique ali até o casal se posicionar diante do celebrante e o casamento se iniciar. Logo em seguida desça.


A câmera principal terá seu foco no casal, mas de vez em quando deve girar e mostrar o entorno, os pais, convidados, celebrantes. A de apoio estará circulando o ambiente com vários ângulos e tomadas diferentes que darão uma dinâmica boa na produção. Somente na hora do juramento, alianças, assinaturas e bençãos que ambas estarão posicionadas em ângulos diferentes porém focadas no mesmo assunto. No cumprimento dos pais e dos padrinhos também, uma cobre a outra. Fique atento pois logo após este momento costuma sair o primeiro beijo e essa cena não pode ser perdida.


A Saída do Casal
Durante o cortejo de saída, a câmera de apoio acompanhará, de frente, o casal se retirando. Neste momento o cinegrafista deve ser bom ao andar de costas para não ter imagens balançadas. Muito menos cair. A câmera principal acompanhará a saída em plano médio. Evite o plano fechado assim você não fica mostrando o outro cinegrafista muito de perto.
O casal saiu, terá chuva de pétalas ou de arroz, entrarão no carro, brindarão? deixe isso por conta da câmera de apoio. A principal ficará gravando o coral, ou banda, e o áudio na íntegra.


Linguagem do Cinegrafista-mudo
Sabemos que durante a celebração, não devemos ficar chamando um ao outro, mas a comunicação é fundamental. Se não tiver rádio comunicador, alguns gestos lhe ajudarão na troca de informação entre equipes. Lembram dos nomes dos dedos quando éramos crianças? Minguinho, seu vizinho, pai de todos, fura bolo e mata piolho. Na ordem dedo menor, dedo médio, dedo longo, indicador e polegar. Vamos voltar a infância e ainda ter a audácia de criar uma linguagem. A do cinegrafista-mudo.


Primeira coisa. Sempre fique observando seu colega. Se você está na câmera principal e precisa se deslocar, aguarde ele estabilizar a cena e aí sim, se movimente. Para isso basta apontar para você mesmo e gesticular com os dois dedos como se tivesse caminhando. É o indicador e o pai de todos imitando perninhas. Vai trocar a bateria ou fita? Olhe para seu parceiro e feche os punhos, assim ele sabe que você precisará de um tempo maior para algum ajuste. Na troca de alianças ou o beijo nupcial, se você estiver num ângulo favorável que lhe permita um close perfeito, gesticule apontando para si mesmo e com a mesma mão tocando com o polegar no anel ou com o indicador em seus lábios. Seu parceiro entenderá que será você que fará o close da aliança ou do beijo. Ele, por conseguinte, fará o plano médio ou aberto. Caso aconteça algo fora do comum que precisa de uma intervenção imediata, não pense duas vezes, faça sinal com as mãos para ele vir rapidamente lhe auxiliar.


Partindo Pra Festa
É função do cinegrafista principal, após o término do casamento e enquanto a câmera de apoio estiver fora da igreja, recolher todo o equipamento e esperar a volta do parceiro. Assim que ele retornar, recolham tudo e se dirijam para a recepção. Neste caso sugiro ao cinegrafista que estiver de carona, não guardar a câmera e ficar atento ao carro do casal no caminho. Estes percursos gravados ficam interessantes na produção. Se puder, combine para o casal aguardar e depois acompanhe o trajeto, apenas uma parte, só para registro.


Já na festa, os dois cinegrafistas imediatamente à chegada, registram rapidamente mas em detalhes a decoração. Eu costumo não ir antes no cerimonial, já que normalmente, além de não estar pronto totalmente, as velas não estarão acesas, as luzes temáticas não estarão finalizadas e quando a festa começa, o cenário muda completamente.
Terminou a decoração? Divida visualmente o cerimonial em dois. Um cinegrafista começa a cobrir os convidados chegando e as mesas compostas. O outro vai de encontro ao casal que estará em algum anexo aguardando a entrada. Neste momento, seja breve e registre o novo casal mais tranquilo, se alimentando e se preparando para a entrada triunfal. Seja breve por dois motivos: para não incomodar o casal e porque você deve voltar para a festa e cobrir a outra parte das mesas e convidados. Tudo isso antes do casal entrar.
E a hora é essa.


Entrada do Casal
Na entrada do casal, um câmera fica fixa onde os noivos irão falar com os convidados.  Geralmente é junto a pista de dança. A outra acompanhará o trajeto de entrada. Neste momento também será importante a gravação contínua e simultânea, sem desligar e pausar a cena. Ambos irão assim até depois das falas do casal e da primeira dança oficial. Terminada essa etapa, as câmeras poderão ser pausadas pois normalmente dali o casal se dirige para a sequência de fotografias.


No clima da Festa
Um dos cinegrafistas irá acompanhar a sequencia de fotos. Neste momento a criatividade é sua. Combine com o fotógrafo, após cada flash, do casal olhar para sua lente e interagir com você. O outro cinegrafista poderá dar uma pausa, se recompor indo ao banheiro ou bebendo uma água e logo em seguida registrar takes da movimentação da festa, mesas, pista de dança, etc.
Terminado o bloco de fotos, os cinegrafistas poderão se revezar, ora um gravando um pouco enquanto o outro descança e assim por diante. A simultânea só volta em duas ou mais músicas quando o casal for pra pista dançar ou na hora de jogar o buquê.


Em  momentos especiais como entrevistas, corte de gravata ou outros acontecimentos paralelos, volta o revezamento. Não há necessidade de gravação simultânea. Mas é importante que ambos fiquem atentos a qualquer movimentação fora do script. Os melhores lances acontecem de repente, tipo os amigos do noivo jogarem ele para cima, alguém estar fazendo aniversário e um parabéns começa a ser cantado por todos.


E assim vamos até o final da festa, ou o que for acordado em contrato. Quando chega a hora de minha equipe ir embora, costumo pegar algumas cenas de alguns convidados se despedindo do casal, algumas pessoas saindo do cerimonial, etc. Para termos um registro completo de início, meio e fim.


Concluindo
Como disse, o comportamento humano em rituais é sempre o mesmo. Podem mudar alguns pontos mais específicos, mas no final a dinâmica dos cinegrafistas é do mesmo jeito. O que vai mudar na sua produção final será as características e personalidades de seu cliente, o gosto pessoal de suas músicas e as caras diferentes em cada evento.
No mais, tudo igual para um desafio diário de fazer diferente. 
...
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