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domingo, 29 de maio de 2011

CASAMENTO DE CINEMA

Esta forma de trabalhar não é para todos. Nem para produtores, nem para a maioria das noivas. Mas aquelas que quiserem algo assim, terão que pagar mais caro que o normal.
O que você está fazendo para marcar o seu trabalho para além da capa do DVD? Você está disposto a se arriscar, a nadar contra a corrente? Se sim, você vai se interessar muito por este tópico.
Será que você se vê nele?




Já foi-se a época em que se entregava uma filmagem de casamento praticamente na íntegra, com uma edição padrão, mas mantendo praticamente seu conteúdo. Eram as antigas fitas VHS que duravam eternos 1h30 a 2h00 de cenas repetitivas e cansativas. Mesmo ultrapassado, este formato ainda é entregue por muitos cinegrafistas que não tem o dom do vídeo emocional e ainda não entenderam que registrar um casamento é contar a história de um casal. 
Saí para fazer uma locação sobre atitude ambiental, e durante minhas gravações, apareceu um camarada que, desde o momento em que me visualizou, ficou acompanhando cada passo de meu trabalho. Até que se aproximou de mim e falou com desdenho e rejeição: “Eu já filmei muito também, já mexi com esse negócio durante anos”. E se afastou como se tivesse, naquele momento, despejado uma mágoa ou rancor engasgados durante anos. Não sei quem ele é, mas acredito que seja mais um que se aventurou no meio cinematográfico atrás de dinheiro. Como o retorno não veio, deve ter achado outro emprego e agora, ao ver outro cinegrafista trabalhando, acha que é um pobre coitado como ele foi. Ou é.
Nosso trabalho é um dom. Já corre nas veias. Você não descobre, ele nos acha. O dinheiro não é a recompensa, é a consequencia.
E assim vai se vendo muita gente que entra, atrapalha o negócio, perde dinheiro, e sai frustrado.
Quando comecei a gravar casamentos, e já trabalhava em TV, percebi que o grande lance não era filmar por si só, mas produzir filme de casamento com um estilo que hoje se chama "Wedding highlights". Prefiro chamar de curta metragem de casamento.  Quem está destacando este formato atualmente são os fotógrafos que decidiram filmar em DSLR. Não porque conheciam o estilo, mas a grande maioria pelas limitações das câmeras que precisam, de rec em rec, darem uma esfriada.


QUE ESTILO É ESSE
Um curta metragem de casamento dura entre 25 a 40 minutos contra os antigos 90 a 120 minutos. Engana-se quem acha que para produzir 25 minutos finais trabalha-se menos. Exatamente por ser um curta metragem, uma história contada, o cinegrafista deverá passar o dia inteiro com os protagonistas, acompanhar os passos dos padrinhos, da montagem do cerimonial, etc. É um registro quase que completo do esperado dia “D”.
Em um curta metragem de casamento exploramos a "verdade emocional" contra a “verdade literal” dos casamentos filmados de forma normal. 
Uma filmagem normal, que a maioria faz, registra essencialmente as imagens do dia, como exatamente acontecesse. Tudo é filmado e editado praticamente  da forma que aconteceu, incluindo a ordem cronológica. Depois o seu cliente recebe o produto final de praticamente todos os acontecimentos do dia. E o vídeo fica muito chato, demorado, que não acaba nunca!
Se você é um dos que fazem dessa forma, fique tranquilo. Há clientes que gostam e querem deste jeito. Mas a tendência é seguir o dinamismo de nossas vidas, sempre tudo corrido, rápido e instantâneo. A era do Ipad, celular, comida fast food e internet de banda larga. O gosto por cartas, telefone com fio, almoço a la carte e internet discada tendem a diminuir, e
desaparecer. Este estilo “normal" não resgata a emoção que as pessoas sentiram no dia. Na verdade é uma falsa emoção - é a tal da “verdade literal".
Minha conversa aqui não é imposição de formatos, mas sim dar a oportunidade de opção de escolha. Você pode se ver de forma clássica ou descobrir que o curta metragem tem tudo a ver com seu estilo. E uma grande oportunidade para navegar em novos oceanos!
Um vídeo de casamento que resgata a “verdade emocional” é o que tem a capacidade de resgatar os mesmos sentimentos e emoções das pessoas naquele dia, independentemente de quem está assistindo. Hoje eu tenho em meu mostruário trabalhos que pessoas estranhas ao casal começam a assistir e choram, riem, e se admiram. A emoção daquele dia foi transmitida de tal forma que a maioria das pessoas que assistem percebem, inconscientemente, esta verdade.
Saiba que tudo isso que eu estou contando aqui não é novidade. o cinema faz exatamente isso desde a época de Charles Chaplin. Então vamos a algumas dicas para criar vídeos de casamentos emocionalmente verdadeiras.


Primeiro, seu vídeo precisa de qualidade e não de quantidade. Não precisa fazer um vídeo enorme para torná-lo melhor. Um filminho de 15 minutos muitas vezes tem muito mais energia emocional que um de 120 minutos. Realmente tem necessidade de mostrar em tempo real aquela fila de padrinhos entrando na igreja? e três, quatro ou cinco músicas inteiras de um monte de gente dançando na pista? e dançando mal? 
Segundo, a trilha musical que você vai usar tem que ter um enorme impacto sobre a percepção emocional do vídeo. E, necessariamente, não é preciso usar a música que está bombando nas rádios ou é o tema principal da novela das oito. Nada disso. Lembre sempre do cinema. Trilhas de efeito que buscam a emoção da cena em si. É a produção de casamento transcendendo seus próprios limites e invadindo a área cinematográfica.
Terceiro. Sincronize parte do áudio com as cenas captadas. Combine ritmos com imagens. Lágrimas correndo com a música certa para aquele momento. O brinde do casal com outra trilha exata. Efeitos de áudio com efeitos de imagem. No tom certo, sem exageros.
Quarto, uma narrativa não-linear. Uma cronologia emocional do dia não é necessariamente uma ordem cronológica do tempo. Não é preciso ter o raiar do dia exatamente no começo do vídeo.  Você pode começar exatamente de forma contrária, ou misturada.  O vídeo terminando com o primeiro beijo do casal, e começando com o corte do bolo na festa. Não é exatamente assim que o cinema nos mostra a cada lançamento? O fim começando primeiro? O meio terminando no fim? Claro que a narrativa deverá explicar esta mudança natural da ordem, senão o produto final acaba virando um Frankstein. Em outras palavras, o próximo lançamento nos cinemas será sua grande faculdade de produção audiovisual.
Finalizando. Em sua narrativa da história do casal, a forma de gravar as cenas serão fundamentais para alcançar a verdade emocional. Pode ser aquele making of do dia da noiva. Ou o casal andando por um jardim. Talvez encenar como foi o dia em que se conheceram, ou como começaram a escolher em quais das igrejas iriam se casar.
Encontre a sua história. Ache algum aspecto especial do dia do casamento ou da experiência do casal que possa ser o grande “mote” emocional do filme. Pode ser que esteja além do relacionamento de ambos. Pode estar no relacionamento de pai e filha, ou entre irmãos. Ou sentimento do final de uma etapa da vida para início de outra. 
Reflita para você mesmo: "Se eu estivesse escrevendo um roteiro desse dia do casamento, como iria fazê-lo?" Contar a história de um casamento é escrever uma história. É colocar você e seu trabalho em outro nível. É se destacar na multidão. Não é fácil. Se fosse, todos estariam fazendo.


Produtores de vídeo capazes de contar emocionalmente histórias verdadeiras, serão capazes de valorizar seus trabalhos e terem um retorno gratificante em cada produção.
É possível?
Basta lembrar da Kia Motors. Quem diria que há poucos anos eles fabricavam o tal do carrinho super-barato, a Towner. Em que nível eles estão hoje?
Pense nisso.
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